Prolapso uterino: condição silenciosa impacta mulheres no Rio de Janeiro e acende alerta para a saúde íntima

Especialistas reforçam que sintomas não devem ser ignorados e destacam caminhos para diagnóstico e tratamento

Por SARAH MONTEIRO
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O prolapso uterino, caracterizado pela descida do útero em direção ao canal vaginal, é uma condição mais comum do que parece, e também presente na realidade de muitas mulheres no Rio de Janeiro. Estudos indicam que até 50% das mulheres que tiveram parto vaginal podem desenvolver algum grau de prolapso ao longo da vida, o que evidencia a alta incidência do problema, mesmo que nem todas apresentem sintomas. Em um cenário com grande número de partos e envelhecimento populacional, o tema ganha ainda mais relevância no estado.

Apesar disso, o assunto ainda é cercado por silêncio. Muitas mulheres demoram a procurar ajuda, seja por constrangimento ou por acreditarem que os sinais fazem parte do envelhecimento. Esse atraso pode favorecer a progressão do quadro e limitar as opções de tratamento.

1. O que é o prolapso uterino

O problema acontece quando as estruturas que sustentam os órgãos pélvicos perdem força, permitindo que o útero desça da sua posição habitual.

“O prolapso uterino ocorre quando há enfraquecimento da musculatura e dos ligamentos do assoalho pélvico. Dependendo do grau, pode causar desde um desconforto leve até situações mais avançadas, com impacto importante na qualidade de vida”, explica o ginecologista e obstetra Dr. César Patez.

2. Principais causas

Diversos fatores contribuem para o surgimento do prolapso ao longo dos anos, especialmente aqueles que aumentam a pressão sobre a região pélvica.

“Partos vaginais, menopausa, excesso de peso e esforço físico repetitivo são fatores relevantes. Com o tempo, essas estruturas vão perdendo sustentação, favorecendo o desenvolvimento da condição”, afirma o especialista.

3. Sintomas mais comuns

Os sinais podem surgir de forma gradual, o que faz com que muitas mulheres não percebam a evolução do quadro logo no início.

“As queixas mais comuns incluem sensação de peso na vagina, desconforto ao permanecer muito tempo em pé, dor lombar e alterações urinárias. Em estágios mais avançados, pode surgir a sensação de algo exteriorizando pela região íntima”, destaca Dr. César.

4. Como é feito o diagnóstico

A avaliação é simples e costuma ser realizada no consultório, durante o exame ginecológico de rotina.

“O exame físico permite identificar o grau do prolapso. Em alguns casos, exames complementares ajudam a entender melhor a anatomia pélvica e direcionar o tratamento”, explica.

5. Tratamentos não cirúrgicos

Quando identificado precocemente, o prolapso pode ser controlado com medidas conservadoras.

“Em quadros iniciais, indicamos fisioterapia pélvica, uso de pessários e mudanças no estilo de vida. Essas estratégias ajudam a aliviar os sintomas e evitar a progressão”, afirma.

6. Quando a cirurgia é indicada

Nos casos mais avançados, a cirurgia pode ser necessária para restaurar a anatomia e melhorar a qualidade de vida da paciente.

“Quando há comprometimento importante do bem-estar, indicamos a abordagem cirúrgica. Hoje contamos com técnicas menos invasivas, com recuperação mais rápida e bons resultados”, destaca o médico.

7. É possível prevenir

Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir os riscos ao longo da vida.

“O fortalecimento do assoalho pélvico, o controle do peso e evitar sobrecarga na região são fundamentais. Além disso, o acompanhamento regular com o ginecologista é essencial para identificar alterações precocemente”, orienta Dr. César Patez.

Diante de um problema que atinge um número significativo de mulheres, inclusive no Rio de Janeiro, falar abertamente sobre o prolapso uterino é essencial. A informação é uma aliada importante para quebrar tabus, estimular o diagnóstico precoce e garantir mais qualidade de vida.

Fonte: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/gkC8rNV49ZycfPk95H3XTsw/abstract/?format=html&lang=pt


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