Saúde do homem não é só em novembro

Diagnóstico precoce evita complicações e nem sempre exige toque retal. Especialista alerta para a importância do acompanhamento anual

Por RENATA SANTOS PORTELA
3 Min

Saúde do homem não é só em novembro
Arquivo pessoal: César Tadeu ao lado da esposa
A ideia de que o cuidado com a saúde masculina deve acontecer apenas durante campanhas como o Novembro Azul ainda reflete um comportamento preocupante. Dados do Centro de Referência em Saúde do Homem, em São Paulo, mostram que sete em cada dez homens só procuram atendimento médico por insistência da família e mais da metade adia a consulta até que os sintomas se agravem.

Esse atraso pode trazer consequências sérias. Alterações sutis, por exemplo, relacionadas à próstata e ao sistema urinário, podem evoluir silenciosamente e comprometer não apenas a qualidade de vida, mas também a função dos rins, podendo levar até à Insuficiência renal.


O auditor-fiscal tributário César Thadeu Moraes de Alencar, de 65 anos, é um exemplo de como a prevenção faz diferença. Ao manter consultas regulares, conseguiu identificar precocemente uma alteração após perceber dificuldade para urinar. “A vontade vinha, mas o jato era fraco. Procurei ajuda e os exames apontaram o problema”, conta.

O diagnóstico foi de obstrução do colo vesical. A condição dificulta a passagem da urina e pode estar associada a alterações na próstata, comum em homens a partir dos 50 anos, mas que pode acometer os públicos masculino e feminino  abaixo dessa idade.

De acordo com o urologista Dr. Henrique Coelho, o quadro exige atenção mesmo quando os sintomas parecem leves. “Muitos homens começam com sinais discretos, como jato urinário fraco ou dificuldade para iniciar a micção, e acabam ignorando. Quando não tratado, esse tipo de alteração pode evoluir, comprometer a bexiga e até afetar os rins”, explica.

Outro ponto importante destacado pelo especialista é o preconceito que ainda afasta os homens dos consultórios. “Existe um receio muito grande em relação ao toque retal, mas é fundamental esclarecer que nem todo diagnóstico precisa desse exame. Hoje temos métodos modernos e menos invasivos que permitem avaliar a saúde da próstata e da bexiga com precisão, como neste caso”, afirma.

A obstrução do colo vesical tem tratamento, que pode ser feito com medicamentos ou cirurgia, tudo vai depender da causa da sua condição, explica Coelho. “O problema não é o exame, é o atraso no cuidado. Quanto antes investigarmos os sintomas, maiores são as chances de um tratamento simples e eficaz, evitando cirurgias mais complexas e complicações”, reforça.

César agora se prepara para o tratamento cirúrgico e reforça a importância do acompanhamento médico regular. “Se eu não tivesse feito check-up, talvez só descobriria quando estivesse mais grave”, afirma.

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RENATA DOS SANTOS PORTELA
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